11 de janeiro de 2007

A Liturgia da morte

A menina crescida olhava para a caixa e pareceu não acreditar. Aquele que está deitado não dorme, e muito menos repousa. Os olhos inchados de quem chora são também parecidos com o do defunto. Três tiros no rosto, foi o que contaram. Mais alguns espalhados pelo corpo. Uma senhora disse que foram quinze furos. Mas o rapaz que chegou cedo e encontrou o corpo no chão, em frente ao bar no setenta [KM da Transamazonica - sentido Altamira/Medicilândia], informou que vira mais de trinta.

Não é de se acreditar. Triste saber que alguém parte. Ainda mais quando este é um parente. E muitos passaram na Capela Mortória no dia trinta e um. A festa de ano novo fora trocada por um cortejo fúnebre. Mais de dez caminhões e muitos carros, que deixaram seus pisca-alertas ligados, acompanhando o sepulcro de um homem. Aquele que fora bom para uns e ruim para outros. Uma briga, onde a humilhação venceu a notoriedade daquele homem, o fez partir.

Ainda dentro da capela a rezedeira começa seu serviços. Antes da presença do padre, a velha senhora anuncia o inicio do terço. A ladainha ia alta na tarde quente de Altamira. Mais da metade da cidade passou por lá, ora para verificar se realmente era verdade, outra para dar pessames aos famíliares. Uma esposa, mãe de cinco filhos. Três meninos e duas meninas. Crianças grandes e de vida feita, com filhos e casa própria. O mais novo expressa no olhar o que todos alí viam com clareza. O pesar, a perda. Talvez por não ter vivido muito tempo próximo ao homem dentro da caixa. Ou ainda por não dizer o que gostaria ao pai distante.

Após o enterro, Dostoiévski falou mais alto do qualquer palavra. Quando morremos deixamos de existir. Definitivamente. A representação do corpo é muito valorizada nas sociaedades ocidentais. Não se sabe quem ele foi, quem amou. Se houve bondade ou ruindade em suas relações. Só se sabe que o que resta dele cabe em uma caixa sem flores, e depois nem isto restará. Agora, por mais que Zé Bento, tivesse um nome forte na região, o que ele realmente foi não é mais.

Somos feitos de lembranças. Quando não restar mais ninguém para recordar, elas desaparecerão. E o que resta é apenas uma vestigem do que realmente fomos.

Ante-vespera do feriado, dia trinta de dezembro de dois mil e seis. As quinze horas [horário de Manaús].

15 de dezembro de 2006

Somos feitos de fumaça.

Desaparecemos antes mesmo de começar a ficar bom. Intragáveis como poluição e, ao mesmo tempo, desprezados quando estamos no fim. Comentei com ângela sobre aquele nosso problema. Apesar de tentar ser enfática com as prerrogativas, minha garota demostrou pouco afeto com isso. Será que ela está pensando que é uma brincadeira?
Procuro não pensar nisso. Mas, as vezes, foge do controle humano certos vícios que condicionaram a nós.

Ou seria melhor dizer condicionamos?

keep quiet.

11 de dezembro de 2006

As pessoas mudam. E o que ontem era para sempre, hoje pode não significar nada. Não que a vida pare diante dos ciclos, e que nada de especial possa acontecer a cada instante. Mas tudo tem o devido tempo para acontecer. Inclusive o termino.
Terminar uma fase [longa, diga-se de passagem], pode ser transformador. Sair da comodidade e segurança de uma determinada situação pode até garantir bons fluidos para o que poderá vir de novo. E neste caso, pode-se dizer que o trabalho é uma ajuda reconfortante para estes momentos.

Leão horóscopo
Prepare-se para mudanças. Mas, lembre-se de que as mudanças também podem ser no modo de pensar e de sentir as coisas. Isto é abertura de mente e de coração.



E não se esqueça da Dica do dia
Boas possibilidades de seus sonhos se realizarem e trazerem bons frutos para você. As coisas começam a melhorar e você em breve verá os resultados.

28 de novembro de 2006

Alguém morreu na minha quadra

Depois de dois dias minha mãe contou-me que alguém havia morrido na minha quadra. Ao se tratar de uma cidade como o Recanto das Emas, achei muito normal acontecer. Mas não pude. Era um homem de oitenta anos. Eu ignorava a existência dos seus serviços prestados à Polícia Militar do Distrito Federal. Era um policial aposentado e tinha oitenta anos de idade.

Sem família, morava só em uma casa de esquina na quadra 110. Uma mulher cuidava de sua saúde e da arrumação da casa. Ela encontrou o corpo. Em poucos minutos havia se ausentado da casa para comprar leite. Quando o acontecido se abateu sobre a residência. O que torna uma pessoa infeliz?

Havia uma arma na casa. E o assassino sabia onde a encontrar. Eu sempre ignorei o fato de alguém portar uma arma na minha quadra. E que, talvez, esta mesma arma terminasse com a vida de alguém. Todo manhã, ao sair de casa, eu costumava passar por aquela esquina. Nunca notei que um senhor de oitenta anos sempre se sentava num banco. Mas ao saber desta tragédia, não deixei de conferir se, algum dia, poderei rever a cena. E não vou.

Esse tipo de noticia não sai no jornal. Principalmente em Brasília. Ex-policial de oitenta anos comete suicídio no Recanto das Emas. Na semana anterior uma jovem se jogou do décimo andar de um prédio, no centro bancário da cidade. Em outro, foi a vez de um rapaz fazer o mesmo, só que em um shopping. O que os torna semelhantes? Apenas o fato que todos decidiram abandonar suas angustias para os que ficam ao invés de resolvê-las sem o penar da morte. Respostas faltam a tais perguntas. Sejam elas feitas na periferia ou na capital.

27 de novembro de 2006

Satan, prends pitié de ma longue misère!


Miseráveis são todos aqueles que se delimitam a não enxergar o quão podem conseguir com as palavras. E elas costumam fujir com tanta velocidade que não me é permitido segui-las. E nem tento. Desacredito que elas possam ajudar, no estado deplorável em que me encontro. Não entenda errado. Não estou péssima. Tudo costuma andar de forma descompassada aqui dentro de ângela. Mas ela não costuma perceber isso.
As vezes é bom apenas escutar um pouco de música e ver no que vai dar. As pessoas normais fazem isso e não tem perdas. Porque acreditar que eu as teria? Só porque acredito piamente que ângela seja a melhor mulher em tudo o que faz não significa que seja verdade. E não é.
Pergunto a você, minha querida, se algum dia precisou se preocupar com sua própria sorte. Se as palavras, sempre flutuantes, lhe escapam por entre as frestas do sonhar antes mesmo que acorde. Serei um pouco mais audaz e lhe proponho que fique a observar os outros a sua volta sem se preocupar com o que eles digam de você.
Não pretendo, nesta carta, causar algum desconforto. Apenas esclarecer que mesmo eu sendo sua consciencia, devo lhe advertir que se você, anjo, não começar a se organizar melhor e parar de temer o que ainda não aconteceu, algo de nada bom pode chegar a acontecer.

O melhor, já aconteceu.

Perdoe. Não costumo ser muito boa com as palavras, frases e acentuações. Apenas quero dizer-te que a amo e não quero lhe ver a sofrer pelos corredores sem cor deste prédio cor-de-rosa.

até,

26 de novembro de 2006

engraçado como ontem se parece tanto com hoje. tenho a sensação de que tudo por o que passei não valeu a pena.
alone again. mas desta vez de um jeito diferente, e novembro ainda não acabou. sempre novembro. como evitar?
horóscopo Leão
Lembre-se de que, se quiser realmente seguir em frente e ocupar seu espaço no mundo, deve deixar de lado o passado e raízes que possam prendê-lo.


se você diz. quem sou para duvidar?

e para onde foi todas aquelas frases que iria por aqui?
infelizmente, alguem ousa roubar minhas letras.
se alguem as ver flutuando por aí, mande sinal de fumaça.

dont move, be panic!